quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A cor preta do Dobok de Hapkido

O Dobok (도복) de Hapkido geralmente é de cor preta, o motivo geralmente aceito é o fato de que no Um yang o Um seja preto e represente o interno a receptividade o suave. Assim sendo o Hapkido uma arte circular e “suave” a correspondência é óbvia, além disto originalmente o preto simboliza a água só posteriormente a cor azul foi atribuída a este elemento.


Quando se observa em algumas federações que os mais graduados começam a usar o branco também, o que acontece é que partindo do interior para o exterior a energia se manifesta sendo a materialização da técnica já mais visível como algo individual e interno.
Não devemos esquecer também das influencias de outros povos como os Mongóis que de sua indumentária surgiu o Dobok de mestre (trançado em branco).

Outras cores são usadas em uniformes mas deve se ter cuidado para não desvirtuarmos o princípio básico e simbolista, usando uniformes que em nada têm a ver com a arte ,mas sim uma adaptação de um gosto pessoal de determinada escola.

Texto Edson Takehisa
http://www.hapkidors.blogspot.com/

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Sobre o Caminho

Aquele que se agarra à visão mundana
Não pode entrar no caminho [chin. Tao].

Àquele que não entende realmente, mas diz que entende,
Você não pode falar sobre o caminho.

Aquele que vive no conforto ocioso e que é preguiçoso
Não pode aprender o caminho.

Aquele que acredita em mentes individuais e separadas
Não pode falar sobre o caminho.

Aquele que abandona o movimento e procura a calma
Não pode cultivar o caminho.

Aquele que abandona o ensinamento para investigar a meditação [chin. Ch'an]
Não pode atingir o caminho.

Aquele que depende de palavras e conceitos para explicar o significado profundo do Dharma
Não pode entender o caminho.

Aquele que deseja ser apressado e procura por algo fácil
Não pode ser iluminado pelo caminho.

Aquele que separa o pequeno do grande
Não pode ser iluminado pelo caminho.

Aquele que se agarra ao impuro chamando-o de puro
Não pode conhecer o caminho.

Aquele que não gosta das coisas comuns e simples e,
Ao invés disso, tem uma afeição por coisas novas e especiais,
Não pode tender ao caminho.

Aquele que gosta apenas do simples e superficial
Mas não gosta do detalhado e profundo
Não pode entender o caminho.

Aquele que conduz uma tarefa de maneira superficial e que não gosta de esforço,
O que é contra a disciplina,
Não pode praticar o caminho.

Aquele que atinge um pouco mas acha que é suficiente
Não pode praticar o caminho.

Aquele que tem pouco entendimento mas acha que é suficiente
Não pode atingir o caminho.

Para atingir o caminho,
Apenas transcenda as preocupações, visões e tentações mundanas.

Para atingir o caminho,
Apenas permaneça modestamente e com mente aberta.

Para atingir o caminho,
Apenas trabalhe assiduamente.

Para atingir o caminho,
Apenas aprenda, com professores bons e próximos,
Como compreender o Dharma intuitivamente e, em todos os lugares,
Use o ensinamento experientemente para selar a mente.

DÔ (caminho) Significado

Percorrendo o caminho (DÔ). Para onde?
A humanidade tem um longo histórico de guerras e lutas por poder político, conquista de territórios ou simplesmente para mostrar a supremacia diante de seu vizinho.
Da necessidade de se criar métodos sistemáticos e eficientes de ataque e defesa é que nasceram as chamadas artes marciais.
Estes métodos ou sistemas eram amplos o suficiente, tanto para preparar um exército para a guerra, como também para capacitar um monge a se defender durante sua peregrinação.
No Japão antigo, cada clã possuía seu próprio estilo ou escola chamada RYU. Cada RYU possuía diversas técnicas de luta, quase todas secretas, chamadas JITSU para o manejo de armas e utilizando o próprio corpo como arma.
Os SAMURAIS (aquele que serve ao senhor feudal) representavam a classe de elite de guerreiros e tinham domínio completo das artes marciais.
Com o período chamado Restauração Meiji (1868-1912) que determinou a modernização do Japão, a era dos Samurais terminou.
Estilos e técnicas que levaram centenas de anos para se desenvolverem, de repente, se tornaram inúteis e até proibidas.
Com os esforços de alguns, o conhecimento foi preservado e depois até se popularizou, já que o seu uso não era mais exclusivo dos Samurais. Mas agora, o enfoque das artes marciais é diferente, o JITSU (técnica) passou a ser encarado como DÔ (ou michi ou caminho).
Mas afinal, o que uma arte marcial como HAPKIDÔ (caminho da unificação da energia) tem em comum com o CHADÔ (caminho do chá), o KADÔ (caminho do arranjo de flores) ou o SHODÔ (caminho da caligrafia)?
Nos meus primórdios de aprendizado nas artes marciais, eu achava erroneamente que o DÔ (caminho) de cada arte seria o melhor método ou técnica para aplicar um chute, um soco ou derrubar um adversário.
Comparando, seria como se utilizássemos estradas diferentes para chegar a lugares diferentes.
Usando o mesmo raciocínio, atualmente acho que o entendimento correto seria utilizar a mesma estrada para chegar ao mesmo lugar, só que utilizando meios diferentes. Se formos para Boqueirão da Esperança pela Rodovia Transamazônica (Quer caminho mais árduo que este? Uma parte do caminho nem existe!), alguns podem optar por utilizar um automóvel, outros bicicleta e outros irem andando.
Então, qualquer que seja a arte, DÔ significa maneiras distintas de caminharmos pela vida, enfrentado todos os buracos, lombadas e valetas, e chegarmos todos ao mesmo lugar ou atingirmos o mesmo objetivo.
Sobra, portanto a seguinte pergunta: - Através do DÔ, para onde estamos indo?
Sabemos que os Samurais, através da disciplina física, mental e espiritual, tinham um grande entendimento da vida e com este entendimento atingiam um estado de total desprendimento e paz interior. Como conseqüência, conseguiam vencer o maior de todos os medos: o medo da MORTE.
Se eles podiam enfrentar uma luta de vida ou morte com tanta naturalidade, por que não utilizar este conhecimento para enfrentar a luta do dia a dia?
O entendimento do significado do DÔ só acontece quando conseguimos transpor as técnicas de golpes e Napbobs (rolamentos) para os fatos mais corriqueiros do nosso dia a dia. Como exemplo, poderíamos citar: uma negociação de compra e venda, a participação em uma reunião, a realização de um exame vestibular ou, enfrentar a cadeira do dentista.
Usando os princípios do HAPKIDÔ, poderíamos interpretar as técnicas da seguinte maneira:
- preparado para o que der e vier. Preocupações excessivas só ocupam espaço mental. Os outros não sabem o que você está pensando e você também não sabe o que os outros estão pensando. Mente vazia.
- não se deixe afetar por uma ofensa direta, deixe o ataque passar. Saiba quem você é; conheça bem suas qualidades e limitações.
- às vezes, uma resposta direta é mais eficiente (curto e grosso). Não tenha medo de ferir os sentimentos alheios com a verdade (apenas o EGO do outro sairá ferido).
- técnicas de contra golpe. Não desista nunca de seus objetivos. Tenha a mente aberta para explorar as fraquezas alheias e virar o jogo no momento certo.
- variações da técnica. Os fatos nem sempre acontecem como planejamos ou gostaríamos, esteja preparado para improvisar. Seja flexível na cabeça.
- absorver, da melhor forma possível, as "quedas" e "tropeços" que acontecem na busca de nossos objetivos. Não fique se lamentando, levante-se rapidamente e tente novamente quando as condições forem mais favoráveis.
- provocar reação! Às vezes, precisamos ajudar com um pequeno "empurrão" para que as coisas aconteçam.

A essência do DÔ é a maneira como caminhamos pela vida.
O destino final do DÔ é a compreensão da própria vida.